Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Despair and Deception, Love's ugly little twins


Na verdade, nada mais interessava. Ele não estava à espera. Ela não estava à espera. Ambos adiavam esse momento e fingiam que não ia acontecer. Mas aconteceu...
As pessoas sabem que, por vezes, não escolhem caminhos, são os caminhos que as escolhem. Por vezes, a volta a dar é demasiado comprida e evita-se ao máximo. Tal como o encontro e o reencontro. O não deixar partir, no momento, porque será difícil regressar, por muita vontade e desejo que haja de ambas as partes.
Aqui ao longe, da janela onde me debruço, vejo apenas mais um casal que lamenta ter-se conhecido, que lamenta o primeiro encontro, como lamenta o último. Vejo um casal que não o é, mas que poderia ser... Tendo em conta a luz que emana quando se olham nos olhos...
Deste lugar privilegiado, vejo-lhes o silêncio e as palavras. Sinto-lhes o fogo e o gelo. Ouço-lhes o respirar e a falta dele...
Eles ficarão separados e afastados. O tempo encarregar-se-á de os afastar cada vez mais, até lugares distantes de memórias remotas, lugares onde não se poderão encontrar mais, onde não considerarão hipóteses de possíveis loucuras...
Ficará a mágoa e a nostalgia. Nada mais. Nem a lembrança.
Criar-se-á mais uma possível estrada que não será percorrida.
Existirá mais um fim de algo que nunca teve um início...

Terça-feira, Outubro 21, 2008

abriste a janela e voaste...


Não és tu quem eu escolheria para passar o resto da minha vida, se pudesse escolher.
Não existias em mim quando fiz uma escolha que pensei acertada, numa certa altura da minha vida.
Mas és tu, num espaço paralelo, quem habita esse espaço da minha vida, e sinto-o e sinto-te... quando me apertas a mão, enquanto adormeces à minha guarda... quando me abraças e, sem o saberes, proteges mais do que do frio... quando rimos e concordamos com o divertimento surreal que tiramos das coisas simples... porque somos extraordinários juntos e poderíamos ser melhores, libertando luz suficiente para envergonhar e cegar quem nos visse...
E tentei despedir-me de ti, afastar-te, assustar-te, mostrar-te que éramos impossíveis juntos, que não nos acreditava...
...mas como me convenço de algo em que não acredito?...

is it something so good just can't function no more?


Sei que não é a mim que escolherias para passares o resto da tua vida, numa escolha pensada e ponderada.
Sei que não sou eu que, na realidade, existe no teu presente, oficialmente.
Mas é nesta ilusão das possibilidades infinitas que nos acredito. E acredito também que poderíamos ser extraordinários juntos, mais agora do que antes. E sinto-o e sinto-te, quando te aperto a mão com força e quero que saibas que é para sempre, enquanto me afagas o cabelo, o rosto, a barriga... quando te abraço e quero-te proteger mais do que do frio... quando te agarro e te beijo com o mais profundo desejo desta ilusão se tornar real... quando lutamos contra o vento e contra a chuva, eu com o teu casaco feminino, e rimos do ridículo e da loucura, porque, no fim, o que interessa é isso, divertirmo-nos com as nossas (in)consciências.
E hoje, mais do que nunca, sei que foi uma despedida, um maneira suave de me dizeres que, agora, a vida será diferente, que eu não estava certo nem te conhecia assim tão bem... e que vais embora... um eufemismo, talvez...
...ou um possível eterno retorno, espero eu...

Terça-feira, Outubro 14, 2008

release find your peace my love


Ela levantou-se e olhou pela janela. O sol brilhava levemente, ainda a tentar esconder os seus raios atrás de uma ou outra nuvem. Não queria mais falar de chuva. Não queria mais chuva. Queria aproveitar aqueles raios de sol, mesmo envergonhados, com toda a energia que poderiam transportar.
Os seus olhos, fixos nos telhados circundantes, espelhavam a angústia de não querer sentir mais falta do que quer que seja, a desilusão de acreditar numa coisa que não existe... abanou a cabeça suavemente, expulsando o pensamento do momento. Tinha-se libertado dessas sensações há tanto! Nem queria acreditar na sua ingenuidade...
Fechou as cortinas e deixou-se estar, naquela claridade obscura, como um aquário.
Amanhã será um bom dia... mas hoje não...

Quarta-feira, Outubro 08, 2008

under the sea is where i'll be...


Suponho que todos nós, de vez em quando, tenhamos de nos fechar na concha da nossa essência, bem lá no fundo, longe de luzes e cheiros, para que consigamos regressar mais atentos, quando conseguirmos abrir esta concha que nos separará da realidade.
Não quero mais falar de chuva. Não quero mais saber se o teu sol brilha ou não, mais ou menos forte. Não quero mais saber se sinto a tua falta ou não. Não quero mais ruído, lágrimas ou riso, ansiedade ou medo.
Não sei se aguento mais um toque teu, mais um beijo teu, mais um abraço teu...
...mais uma tua despedida...

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

E o coração que o conte... quantas vezes já bateu para nada...


Se me queres perto de ti para me poderes mandar embora... não o faças...
A dor da ruptura é mais forte do que a dor da tua presença, do teu cheiro, do teu toque... e essa já é tão maior do que devia...

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

She treats me like her local god


São as tuas mãos que quero a passar no meu cabelo, no meu rosto, nas minhas mãos, no meu corpo. É o teu respirar que eu quero no meu respirar. Não acredito em muitas das coisas que dizes. Por vezes, o momento deixa-nos com a visão um pouco turva... Quero acreditar em ti, porque és tu... Quero acreditar que esta fraca figura feminina marca algum espaço teu, de ti, em ti... E é tão perigoso quanto saboroso. E não sabes o quanto és especial, em cada dia que passa, em todos os dias que passam, em cada acordar e em cada adormecer... porque tu dás sentido ao que o perdeu.
E não posso estar contigo exactamente porque não estaria à altura de tal sensação... porque é melhor acreditar que sim, que o sou e que nunca o deixarei de ser, do que pensar na hipótese de acabar com esta certeza tão tua, tão arrepiante, tão perigosa... tão saborosa...

Quarta-feira, Setembro 24, 2008

Is it bad that you're good for me... did I love you just randomly?


Eu sabia que não o devia dizer, mas foi o momento, o impulso, a vontade. E não era mentira alguma: tu és mesmo a mulher da minha vida! Não que eu te tenha escolhido, que eu queira que sejas, mas... és! É contigo que eu quero estar, és tu que eu desejo, é atrás de ti que corro quando tentas fugir e escapar-me da mão. És tu!
São os teus olhos que me arrepiam, os teus lábios que aspiro, o teu riso que me desperta estes inúmeros e incontroláveis sentimentos e estas sensações sufocantes. É a tua mão que quero agarrar, o teu corpo que quero abraçar, beijar, respirar... e respirar...
E eu sabia que não o devia ter dito, mas foi tão mais forte do que eu... E tu abanaste a cabeça, reprovaste a ideia, disseste "Não! Não! Não!" naquele tom de voz crescente que me desperta um sorriso nos lábios e brilho nos olhos, como se dissesses "Sim!"... E deixei-te ir, porque tinhas de ir. É entre a fuga e a liberdade que as pessoas desvendam aquilo que, sendo claro, não querem ver. E tu verás... e sentirás e saberás esta verdade.
E não devemos de lutar contra isso, pois não?!